La Grazia Paolo Sorrentino gosta de nos presentear com obras de arte que duram para sempre. “La Grazia” não foi excepção. O argumento, a fotografia, a banda sonora e as interpretações são do melhor que temos visto. Dura mais de duas horas, mas merece esse tempo. A história acompanha o presidente italiano Mariano De Santis em final de mandato. Ele tem em cima da mesa algumas importantes decisões para tomar, como a lei da eutanásia e os indultos a prisioneiros. Só que também é um homem envelhecido e, além da reforma, também começa a pensar no passado. A saúde não é perfeita e a memória da falecida esposa persegue-o. As duas horas são para conhecermos Mariano. Cada cena traz uma personagem ou uma localização. Aos poucos e sem pressas. Vamos sabendo mais sobre quem é, quem foi, como pensa, e porque é tão ponderado nas suas decisões. Também vamos conhecendo quem o rodeia e quem o tenta influenciar. Uma tarefa árdua e muitas vezes ingrata pois nem isso acelera as suas tomadas de posição, nem lhe mudam a opinião depois de formada. Por vezes o destino atira-nos o filme que temos de ver no momento certo. “La Grazia” é um filme maravilhoso para ver nas épocas de balanço como o final de ano. É sobre o nosso papel na sociedade e a marca que deixamos. Sobre a ténue linha entre a responsabilidade civil e a vida particular. E é sobre a função e o legado de um presidente da República que, convenhamos, também é um tema quente neste momento pelos nossos lados. A carreira de Sorrentino começou num filme com Toni Servillo e com ele tem continuado quase sempre até aos dias de hoje. Quando há uma personagem difícil para interpretar, recorre sempre a este génio. Servillo é Mariano. Um homem com imenso dentro de si que confia em poucos e revela menos. Nós, juntando as peças que vai dando por aqui e ali conseguimos formar um bom retrato, mas quase sempre tem ainda algo escondido que só revela mais tarde. Este é um dos seus grandes papéis, mas seguramente ainda nos dará mais. Tem vários secundários de respeito, mas o grande destaque vai para Milvia Mariglinao como mais antiga amiga de Mariano. Na primeira cena rouba o filme e sempre que aparece tem um enorme impacto na história. É a ligação ao passado e uma consciência desbocada, mas muito sábia. O tipo de amiga que alguém com poder precisa para se recordar de onde vem e que fala quando todos os outros se calam. Tem uma participação pequena, mas inesquecível. Anna Ferzetti está incrível como Dorotea, filha e braço direito de Mariano. É uma jurista melhor que o pai e é, ao mesmo tempo, o único laço familiar que lhe resta (há um filho, mas está no estrangeiro e quase não tem falas). É uma versão mais jovem do pai e sua representante. Tem cenas minuciosamente perfeitas. Quanto a cenas há várias marcantes. A que nos captura primeiro tem a ver com Portugal. A visita do Presidente português é todo um momento de protocolo, surpresa e comédia. Faz Mariano pensar na sua própria mortalidade. Muito mais impressionante que as conversas com o Papa em que Sorrentino brinca connosco. Falando de Ferzetti, a sua visita à prisão para falar com Isa Rocca (Linda Messerklinger) é fulcral. Perante aqueles olhos um homem não estaria racional, mas Dorotea é mulher e é profissional ao extremo. Está lá para ouvir na primeira pessoa o que aconteceu (que vai dar ao tema da eutanásia) e para fazer perguntas. Para encontrar algo na lei que atenue a gravidade dos factos, sem querer saber dos olhos. Simples, mas com enorme significado. O resto do filme é no mesmo tom. Várias cenas poderosas, diálogos inteligentes, material para fazer pensar. Sempre em torno da dicotomia vida e morte. Por isso é um filme que todos deveriam ver. A morte é inevitável, e poder chegar a quando se pensa nisso é uma sorte. Mais vale estar preparado e ver este filme é das melhores formas de explorar o tema. Estamos no mês em que mais filmes de qualidade estreiam, mas, por enquanto, este é o melhor filme do ano. La Grazia (2025) — 133 min - Drama, Comedy - 05/12/2025 Your rating: O mandato do Presidente Mariano De Santis está a chegar ao fim. Apelidado depreciativamente de Betão Armado pela sua natureza intratável e abordagem excessivamente cautelosa à política, ele sente-se sozinho nos corredores ecoantes do palácio presidencial, lamentando a perda da sua esposa e ouvindo hip-hop. Antes de regressar à vida civil, De Santis deve tomar uma série de decisões ousadas — um par de perdões presidenciais e um projeto de lei inovador — que irão consolidar o seu legado. Director: Paolo Sorrentino Writers: Paolo Sorrentino Stars: Toni Servillo, Anna Ferzetti, Massimo Venturiello, Milvia Marigliano, Orlando Cinque, Giuseppe Gaiani, Giovanna Guida, Alessia Giuliani, Roberto Zibetti, Linda Messerklinger, Vasco Mirandola, Rufin Doh Zeyenouin, Guè, Francesco Martino, Alexandra Gottschlich Photos No images were imported for this movie. Storyline O mandato do Presidente Mariano De Santis está a chegar ao fim. Apelidado depreciativamente de Betão Armado pela sua natureza intratável e abordagem excessivamente cautelosa à política, ele sente-se sozinho nos corredores ecoantes do palácio presidencial, lamentando a perda da sua esposa e ouvindo hip-hop. Antes de regressar à vida civil, De Santis deve tomar uma série de decisões ousadas — um par de perdões presidenciais e um projeto de lei inovador — que irão consolidar o seu legado. Collections: Paolo Sorrentino Genres: Drama, Comedy Details Official Website: — Country: Italy Language: Italian Release Date: 05/12/2025 Box Office Company Credits Production Companies: The Apartment Pictures, Numero10, Fremantle Italia, PiperFilm Technical Specs Runtime: 2 h 13 min Filmes Filmes 2025 Nuno ReisvelhicefamíliaPolíticamortereligiãoeutanásia