Autómata O novo filme de Gabe Ibáñez entrou confiante num território binário. Não me refiro aos zeros e uns da informática e da robótica, mas ao sub-género da ficção-científica onde os filmes ou ficam consagrados como obras-primas, ou caem no esquecimento. Ibáñez sabia bem por onde ia pois começa marcando posição do estilo “estas são as minhas referências, agora vejam o meu filme”. Começa por referir as novas regras axiomáticas dos androides: 1. Não fazer mal a seres vivos. 2. Não se alterar. Uma adaptação das de Isamov para não entrar em comparação com “Bicentennial Man” e “I, Robot” e com aquela ligeira variação n segunda dará leitmotiv para o argumento. Após isso e logo na primeira cena o futuro distópico e ciberpunk de “Blade Runner” salta à vista. Mas quando o genérico inicial arranca, já os tons musical e narrativo mudaram para algo completamente distinto. “Automata” apelava aos fãs das duas correntes máximas da robótica, Isamov e Dick, sem se deixar prender nos territórios de nenhum deles. A história acompanha Jacques Vaucan, um inspector de seguros da empresa fabricante de androides ROC. O seu trabalho é investigar relatos de máquinas defeituosas, descobrir o responsável pela sua manutenção, e assegurar que a máquina é reparada e esse conserto é pago por alguém que não o seu empregador. Há um pouco aquele toque de “Repo Men” onde se garante que não há ninguém a reparar androides ilegalmente, contrariando o que o contrato estipula. Agora que vai ser pai ele quer deixar essa vida. Até que um dia um relatório de robot a reparar-se autonomamente o leva a ver um robot a suicidar-se, daí passa para um que consegue causar dor… estarão as regras a falhar? Aqui começa o terreno perigoso. Estamos num mundo desertificado pela seca, a Humanidade está em risco. Não é altura para questionar qual o propósito da nossa existência. A lógica diz-nos que um androide é mais resistente e duradouro do que um ser humano e o intelecto mecânico sabe-o, mas estaremos preparados para o ouvir de uma boca metálica? “Blade Runner” fez-nos duvidar da nossa humanidade. “Bicentennial Man” e “Artificial Inteligence: AI” fizeram-nos questionar conceitos que achávamos humanos como vida e amor. “I, Robot” mostrou o futuro. O nosso e o deles. Em “Autómata” tentou-se juntar tudo. Jacq tal como Deckard e Spooner quer saber a verdade e a sua missão de proteger a humanidade vai sendo moldada à medida que recebe novas informações. Cleo tem o papel de Sonny, Rachael e Gigolo Joe, converter uma mente à causa. A falha no filme será ter tido um humano tão suave perante um androide tão inflexível. Um coração mole perante uma lógica inabalável. Assim a espécie, tal como aquele indivíduo, não tem hipóteses. Essa visão pessimista alienará os espectadores defensores da humanidade. Acreditem que ainda há muitos. Onde o filme se desgraça é na intriga secundária. Como se interessasse à empresa silenciar a todo o custo os robots que desaparecem da cidade sem ser vistos. Apesar de a forma escolhida não ser a melhor, esse ponto de vista era importante. Como sempre, a ignorância humana leva-nos a começar uma guerra que perdemos há muitos anos. Porque não seguem o conselho do célebre cérebro robótico Jacob e admitem que “the only winning move, is not to play”? Se Deus criou o Homem à sua imagem, já foi substituído por ele. Se o Homem educar um Macaco ou criar uma Máquina à sua semelhança, também seremos substituídos por eles. É assim que a vida evolui. O Homem não é a espécie dominante desde sempre e não a será para sempre. A questão é se estaremos de boas ou más relações com o nosso sucessor. Do ponto de vista sonoro, visual e de elenco não há nada de mau a corrigir. A única falha a apontar é no argumento. Tinha os ingredientes certos, mas a mistura não correu nada bem e arruinou o resulado final. É que sendo um filme de nicho, será visto por quem já leu muito e viu tudo o que serviu de inspiração. O segredo muito bem guardado é facilmente adivinhado pelos entusiastas do género que tirarão as suas variadas conclusões. Será bastante interessante discutir este filme e outros dentro de alguns anos. Porque por enquanto, foi apenas uma tentativa falhada de se fazer ouvir e fica esmagado pelo peso das comparações. Tem de amadurecer e ir construindo a sua reputação lentamente. Automata (2014) M/12 110 min - Thriller, Science Fiction - 09/10/2014 Your rating: Jacq Vaucan, um agente de seguros da empresa de robótica ROC, investiga rotineiramente o caso de manipulação de um robô. O que ele descobre terá consequências profundas para o futuro da humanidade. Director: Gabe Ibáñez Writers: Gabe Ibáñez, Igor Legarreta, Javier Sánchez Donate Stars: Antonio Banderas, Melanie Griffith, Birgitte Hjort Sørensen, Dylan McDermott, Robert Forster, Tim McInnerny, Andy Nyman, David Ryall, Geraldine Somerville, Andrew Tiernan, Christa Campbell, Christina Tam, Danny Kirrane, Philip Rosch, Albena Stavreva, Javier Bardem, Harry Anichkin, Lyubomir Neikov, Stanislav Pishtalov, Bashar Rahal, Dan Cade Photos No images were imported for this movie. Storyline Jacq Vaucan, um agente de seguros da empresa de robótica ROC, investiga rotineiramente o caso de manipulação de um robô. O que ele descobre terá consequências profundas para o futuro da humanidade. Collections: Gabe Ibáñez Tagline: Your time is coming to an end – Ours is now beginning Genres: Thriller, Science Fiction Details Official Website: http://www.automata-movie.com/ Country: Bulgaria, Spain Language: English Release Date: 09/10/2014 Box Office Budget: $7.000.000 Revenue: $6.237.990 Company Credits Production Companies: Green Moon Productions, Nu Boyana Viburno Technical Specs Runtime: 1 h 50 min Filmes 2014 Filmes Sitges 2014RobotsInteligência ArtificialNuno Reis