The Creator Kami: What do you want, sweetie? Alphie: For robots to be free. Kami: Oh. We don’t have that in the fridge. How about ice cream? Tão familiar, tão certeiro, tão ensosso Na altura em que a inteligência artificial se estava a tornar parte incontornável das nossas vidas, surgiu um filme que ainda olhava para esa tecnologia como ficção-científica. Não de forma inocente, ignorante das suas potencialidades, mas com a tabula rasa que permite um desenvolvimento sem limites de uma tecnologia que o futuro nos trará. Nesse caso o futuro estava à porta. Como muitos filmes antes dele (e temos publicado bastantes ultimamente) viu um lugar para a IA nas nossas vidas. Primeiro fica com tarefas repetitivas e rotineiras. Depois fica com tarefas perigosas e desagradáveis. Rapidamente toma controlo de funções de muita responsabilidade. Este filme começa dez anos depois de uma decisão controversa da IA ter marcado um ponto de viragem. Surgiram duas facções. Os chamados ocidentais (leia-se Estados Unidos) e a Nova Ásia. O Ocidente quer exterminar a IA, a Nova Ásia encontrou o equilíbrio e aceita-a nas suas vidas. Joshua foi enviado como infiltrado para descobrir Nirmata, o criador que estará a trabalhar numa arma que pode finalmente desequilibrar a batalha. A missão original torna-se mais pessoal do que esperado e falha. Quando anos depois lhe pedem para voltar, o lançamento da tal arma secreta estará por horas. É o tudo ou nada. Onde já vi isto? Vamos ao que parece familiar? Para começar o herói só ter um braço biológico. Não contribui em nada para a história e já vimos isso em Eu, Robot. Supostamente para justificar que o protagonista tenha alguma dualidade sobre quem apoia. O confronto ter lugar no sudeste asiático causa uma sensação déjà vu dos inúmeros filmes sobre a guerra do Vietname. O simples facto de os americanos serem destruidores da harmonia local entre plantações de arroz faz pensar em alguns em particular, mas podem ser mesmo muitos. Visualmente e pela temática sobre a humanidade dos robots cada vez mais semelhante a nós, diria que ousa tentar ser o Blade Runner da sua época. A diferença para todos eles é que os Simulantes portam-se como humanos. Têm rostos, emoções e os seus objectivos são puros. De perfil sabemos que são máquinas, mas quando olham para nós com olhos a sério, sentimos algo. Isso especialmente com Madeleine Yuna Voyles e Ken Watanabe, mas na prática com todos os que falam. O Elenco Falando do elenco, John David Washington não está muito convincente no início, mas vai construindo uma personagem complicada. Percebemos que guarda sentimentos e que tem dúvidas. Para o final já gostamos dele. A estrela discreta do filme é Madeleine Yuna Voyles. Podia ser apenas uma criança querida, mas vai além. Tem autonomia, curiosidade, inocência e uma serenidade como se estivesse noutro plano. Pode ser imortal, mas será divina? Muito parecido com o que sentimos a ver Ava em Ex Machina. Também gostei de ver Allison Janney neste novo registo. Uma escolha inesperada, que faz todo o sentido. O que tem de novo Tal como em Blade Runner, a grande questão é porque os queremos destruir. A visão americana que a IA é má e tem de ser destruída colide com o que vemos na Ásia onde humanos e IA co-existem. Será a versão americana que é defeitosa? Ou pediram as tarefas erradas? Os americanos são a força invasora indesejada a começar um conflito pelos seus próprios motivos que dizem ser do interesse de todos. Parece familiar? Por considerarem a IA uma arma perfeita, criaram uma arma ainda mais eficaz. A guerra leva apenas a mais guerra, e pelo que vemos um dos lados nem está a combater. Nâo vemos dois exércitos frente-a-frente. Vemos militares a enfrentarem oposição da polícia local. Claro que pela sinopse oficial, o ocidente tem toda a razão. Mas o filme faz o oposto. Questiona tudo. Faz-nos ouvir ambos os lados. O idealista em mim, quer acreditar que os robots só desejam ajudar e são uma força do bem. O filme alimenta isso. O pessimista em mim lembra-se que todos os alienígenas que vinham ajudar nos queriam comer. O filme tem personagens a contar histórias dessas. Como sempre, os programas só fazem aquilo que lhes é pedido. Podem ser usados para o bem e para o mal. Se tiverem livre arbítrio e escolherem o mal, é porque alguém o ensinou. Conclusão Mérito para Gareth Edwards, The Creator em conteúdo para encher os olhos e questões para o cérebro. Não foge ao que gostamos de ver, mas é diferente o suficiente para se destacar. O simples facto de ser um argumento completamente original numa era de adaptações, sequelas e remakes já impressiona bastante. Mas passadas as duas horas, fica alguma questão? Não fiquei com essa impressão. Talvez tenha chegado demasiado tarde, quando já todos formaram uma opinião mal-informada sobre o tema. Daqui a dez anos veremos que partes da profecia se verificaram. Trailer O Criador (2023) M/12 134 min - Ficção-Científica, Acção, Aventura - 27/09/2023 Avaliação: No meio de uma guerra entre humanos e inteligência artificial, um ex-agente das forças especiais, que chora o desaparecimento da sua esposa, é recrutado para caçar e matar o Criador, o esquivo arquitecto de IA avançada que desenvolveu uma arma misteriosa com o poder de desequilibrar a guerra a favor das máquinas. Realização: Gareth Edwards Elenco: John David Washington, Madeleine Yuna Voyles, Gemma Chan, Allison Janney, Ken Watanabe, Sturgill Simpson, Amar Chadha-Patel, Marc Menchaca, Robbie Tann, Ralph Ineson, Michael Esper, Veronica Ngô, Ian Verdun, Daniel Ray Rodriguez, Rad Pereira, Syd Skidmore, Karen Aldridge, Teerawat Mulvilai, Leanna Chea, Sahatchai Chumrum, Apiwantana Duenkhao, Mariam Khummaung, Natthaphong Chaiyawong, Tawee Teesura, Kulsiri Thongrung, Charlie McElveen, Chananticha Chaipa, Sawanee Utoomma, Monthatip Suksopha, Brett Bartholomew, Jeb Kreager, Mackenzie Lansing, Stephen Howard Thomas, Agneta Catarina Békassy de Békas, Brett Parks, Phaithoon Wanglomklang, Ron Weaver, Mav Kang, John Garrett Mahlmeister, Scott Thomas, Kandanai Chotikapracal, Niko Rusakov, James David Henry, Eoin O'Brien, Dana Blouin, Anjana Ghogar, Pongsanart Vinsiri, Molywon Phantarak, Chalee Sankhavesa, Pat Skelton, Elliot Berk, Art Ybarra Imagens No images were imported for this movie. Sinopse No meio de uma guerra entre humanos e inteligência artificial, um ex-agente das forças especiais, que chora o desaparecimento da sua esposa, é recrutado para caçar e matar o Criador, o esquivo arquitecto de IA avançada que desenvolveu uma arma misteriosa com o poder de desequilibrar a guerra a favor das máquinas. Colecção: Gareth Edwards Tagline: This is a fight for our very existence. Género: Ficção-Científica, Acção, Aventura Detalhes Site oficial: https://www.20thcenturystudios.com/movies/the-creator País: Canada, United States of America Idioma: Japanese, English, Thai, Tiếng Việt Estreia: 27/09/2023 Bilheteira Orçamento: $80.000.000 Faturação:: $104.272.136 Créditos Peodutoras: New Regency Pictures, Entertainment One, Regency Enterprises, Bad Dreams Detalhes: Duração: 2 h 14 min Filmes Filmes 2023 GuerraGravidezNuno ReisInteligência Artificial