The Glassworker “Não se aprende nada a fazer copos.” Esta simples frase marca o momento no filme em que se torna óbvio que há uma componente artística tremenda. Todos sabemos que para fazer vidro é preciso fogo, água e areia. Mas isso é o básico. Para ir além dos copos, é preciso muito mais. Mais materiais. Mais técnica. Mais conhecimento. Soprar vidro pode ser fácil, mas tornar a areia em algo inesquecível é uma arte. É esse enorme detalhe que define todo o filme. Enquanto a animação de torna cada vez mais computadorizada e a IA ameaça fazer filmes inteiros sem intervenção humana, chega-nos do Paquistão uma animação feita à mão. Por isso foge ao que associamos à animação ocidental, e vai beber muito ao estilo Ghibli. Neste filme acompanhamos duas crianças. Vincent trabalha com o pai na oficina de vidro criada pela família há gerações. Alliz é uma violinista talentosa que chega à cidade. São grandes amigos ainda que haja tensão entre as famílias. Oliver, o pai de Vicent, é um pacifista e o de Alliz é um Coronel. O país está em guerra e a sua cidade está segura, mas sob enorme pressão. As suas artes tornam-se o seu porto seguro num mundo que se prepara para a destruição e o fim de tudo o que é belo. Vincent já fez sacrifícios pela sua arte. Destruir algo bom para ter material para fazer algo melhor. Por isso Vincent diz a Alliz que fazer arte não é só interpretar música, mas compôr. Ela tem de criar algo novo. E é isso que ela faz assim que começa a sentir a perda e a destruição. O início parece parado pois dedica-se às pequenas coisas. As mãos que trabalham o vidro. O vento nas árvores. O pequeno Djinn que brinca nas ondas. Ajuda a definir alguma identidade própria do filme, mas principalmente a colocar o espectador no estado de espírito certo. A abrandar e a apreciar as pequenas coisas. Depois de estarmos ambientados ao mundo das crianças, eles vão envelhecendo. Crescem moldados pelo mundo e por pais de visões fortes. Educações contraditórias, mas que não os impedem de se estimarem. E de amarem a arte através das dificuldades. O filme ganha outro ritmo e acelera rumo a um desfecho. Quanto mais velhos, mais rápido o filme. “The Glassworker” é uma obra rara. Não tenta deslumbrar com acção e espetáculo. Quer apenas tocar com uma mensagem. Contra a guerra, mas também pela arte e pelas crianças. Para que se proteja o que é frágil. E ainda que a arte em vidro seja fácil de criar em animação, a música composta para o filme é também sublime. Incrível arranque para a animação paquistanesa. The Glassworker (2024) — 98 min - Animation, Family, Romance, War - 26/07/2024 Your rating: Um jovem aprendiz de vidreiro, que vive com o seu pai pacifista, vê a sua formação interrompida por uma guerra iminente e pela chegada de um coronel do exército à sua cidade costeira. Director: Usman Riaz Stars: Mooroo, Mariam Riaz Paracha, Khaled Anam, Ameed Riaz, Mahum Moazzam, Khalifa Sajeeruddin, Dino Ali, Usman Riaz, Faiza Kazi, Aysha Sheikh, Aysha Sheikh Photos No images were imported for this movie. Storyline Um jovem aprendiz de vidreiro, que vive com o seu pai pacifista, vê a sua formação interrompida por uma guerra iminente e pela chegada de um coronel do exército à sua cidade costeira. Collections: Usman Riaz Tagline: A love that could not be broken. Genres: Animation, Family, Romance, War Details Official Website: https://manoanimationstudios.com/ Country: Pakistan Language: اردو Release Date: 26/07/2024 Box Office Budget: $116.000 Revenue: $108.000 Company Credits Production Companies: Mano Animation Studios Technical Specs Runtime: 1 h 38 min Filmes Filmes 2024 GuerraNuno ReisVidroSitges 2024